PAULO RODRIGUES ENTREVISTA
O ESCRITOR/POETA WILLIAM AMORIM

WILLIAM AMORIM DE SOUSA
Escritor, Prof. Me. Depto. Acadêmico de Letras/IFMA – Campus Monte Castelo, Mestrado em Letras/UFPE – Área de concentração em Literatura e Psicanálise. Palestrante, Chefe da Divisão de Qualidade de Vida IFMA/Campus Monte Castelo, Especialista em Saúde Mental, Psicanalista membro e Diretor do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise Seção São Luís, Fundador e Presidente do CIAMM – Clínica da Infância e Adolescência Maud Mannoni. Desenvolveu estudos de formação e estágios em instituições nacionais e internacionais de referência no tratamento de crianças, adolescentes e jovens autistas e psicóticos: Lugar de Vida/USP; École Expérimentale de Bonneuil-sur-Marne – Paris/França; Institut Médico-Pédagogique Notre-Dame de la Sagesse Le Courtil – Bélgica; Coordenador regional e pesquisador do Programa de Estudos e Pesquisas em Autismo – PreAut Brasil – do Institut PRÉAUT/France; Membro-pesquisador do GPLINCE: Grupo de Pesquisa em Linguagem, Cultura e Ensino; pesquisador do Laboratório de Literatura e Psicanálise – IFMA e UNIRIO; membro permanente do Conselho Editorial da Coleção Janus, Ed. Contra Capa/Rio de Janeiro; autor do livro O amor em uma aprendizagem ou o livro dos prazeres: uma abordagem psicanalítica (São Luís, Viegas Editora, 2018), Coautor dos livros Internautas: os chips reinventando o nosso dia a dia (São Paulo: Ed. Melhoramentos, 2011), Clínica e estrutura (Rio de Janeiro: Contra Capa, 2014); Gatos (São Luís: Viegas Ed. 2019); Poemas em espelho (e-book, 2020. Site rosenamurray.com); Coletânea Poetas Maranhenses: prêmio Gonçalves Dias (São Luís: Viegas Ed. 2020); Estudos e práticas de lingua(gens): para a formação profissional, científica e tecnológica (São Luís: EDIFMA, 2020), Balaio de felicidades (São Paulo: Ed. Estrela Cultural 2023), Antologia Poética: Um abraço em Galeano (Rio de janeiro, Ed. Ornitorrincobala, 2024) Inéditos que serão lançados em 2025/26 Coletânea sobre Clarice Lispector (Rio de Janeiro: Contra Capa, 2025); O menino que matou o carneiro (Curitiba, Fatum), (IN) Felicidade comum: contos (Curitiba: Fatum)
ATIVIDADES NA TV E NO TEATRO: Idealizador, coordenador e apresentador do Projeto Café Freudiano – Psicanálise, Literatura, Música e outras artes (2017 até agora) – Teatro Napoleão Ewerton – SESC – MA.
Roteirista e apresentador do Programa de entrevistas EntreLetras (Literatura) – TV UFMA.
- Paulo Rodrigues – William Amorim, Sigmund Freud afirmou: “Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim”. Ele tem razão?
William Amorim –Ah, o Freud! Sempre tão genial. Acho que ele está coberto de razão. Bom, mas primeiro é preciso dizer que a linguagem possui suprema primazia em sua obra, a ponto de constituir-se em um instrumento imprescindível para o oficio do psicanalista. Não bastasse isso, o estilo de Freud, seu uso magistral, eloquente e poético da língua alemã renderam-lhe o Prêmio Goethe de Literatura.
Ele toma o poeta como representante privilegiado da classe dos artistas. Mas quando fala do poeta, Dichter em alemão, está referindo-se ao escritor de literatura, ao escritor criativo. É que os artistas nos dão notícias sobre o inconsciente. Então, nesse sentido, eles sempre precedem os não artistas (pessoas comuns, cientistas, filósofos, psicanalistas, por exemplo) e, como bem lembra Lacan, não há como bancar o psicólogo quando o artista desbrava o caminho.
Parece-me que, tanto Freud quanto Lacan, apontam para o limite da razão, o limite da ciência ou de um ideal de ciência. Como a matéria do poeta/artista não exclui o inconsciente, ele pode ir além: “Os poetas e escritores estão bem a frente de nós, gente comum, no conhecimento da mente, já que se nutrem em fontes que ainda não tornamos acessíveis à ciência”, diz Freud.
Poderíamos fazer ainda toda uma discussão sobre o papel da fantasia na criação , uma vez que a realidade é sempre insatisfatória e o artista se distancia dela e volta a ela com sua produção singular e, ao mesmo tempo, universal. Mas isso ai fica para outro momento pois já me alonguei muito nessa sua pergunta inteligente e provocadora.
- Paulo Rodrigues – O que é ser feliz numa sociedade de consumo?
William Amorim – Ser feliz, ser cidadão, existir, em uma sociedade de consumo resume-se em consumir, ser consumidor. O discurso capitalista quer nos fazer acreditar que tamponaremos nossa falta estrutural com objetos. Uma ilusão de completude. A promessa de felicidade estaria na posse de gadgets, de objetos que podem ir de um celular, a apartamentos e carros de luxo etc. Como nada disso traz a felicidade permanente , porque ela não existe, o risco é o sujeito tornar-se um adicto de objetos sempre frustrantes ao fim da experiência de consumo. Afinal, a felicidade é apenas uma contingência, não é mesmo?
- Paulo Rodrigues – O prazer estético é importante para o ser humano? A literatura continua necessária nessa quadra histórica?
William Amorim – Sim. O Belo, como a Arte nos ensina, é aquilo que possibilita um encontro mais possível com o Real, ou seja, ele é, assim como a psicanálise, um dos modos de dar tratamento simbólico ao inassimilável.
Em seu belíssimo texto O mal-estar na cultura, de 1930, Freud aponta a criação da arte, da religião e da ciência como artifícios culturalmente criados para tentar dar conta do horror que a morte, a finitude, nos causa. Segundo ele, a arte seria talvez a mais honesta destas três modalidades que o ser de fala encontrou para se colocar perante o inapreensível.
A vida, como bem sabemos, é extremamente complexa. Não à toa a arte trágica continua existindo até hoje: coloca o horror em cena transmutando-o em Beleza. Ou seja, mesmo sem negar o horror da tragédia humana, afirma a vida em toda sua dimensão paradoxal, isto é, como palco de alegria e sofrimento, de beleza e seu oposto radical, luz e sombra, fragilidade e potência. A vida, nesse sentido, é bem barroca (risos)
Então a literatura continua e continuará fundamental para nos ajudar a roçar através das palavras, o mais-além delas, o que nem mesmo elas podem roçar.
Ao fim de tudo, de que serviria um mundo sem a arte? Qual seria o sentido da vida sem ela?

- Paulo Rodrigues – Há uma relação de interconexão entre psicanálise e poesia, William Amorim?
William Amorim – De certo modo, sim. Ambas têm como matéria prima a linguagem, esse solo comum. O poeta a retira de seu uso ordinário, limpa as palavras de suas camadas de lodo de sentidos adquiridas ao longo dos tempos para que algo de novo, um sentido inusitado, tocado pelo fulgor do belo, surja. Creio que o psicanalista, de algum modo, através de sua escuta significante, possibilite aos seus analisantes despirem-se dos sentidos do Outro e construírem seu próprio poema autoral a partir do encontro com o vazio, com os tropeços da linguagem.
Freud, desde o inicio da Psicanálise, com o seu Interpretação dos sonhos, estabeleceu comparação do trabalho do sonho com o do poeta: a modificação verbal dos elementos latentes, a dimensão metaforonímica, imagética etc.
Não apenas o sonho, mas também todas as outras formações do inconsciente (chistes, atos falhos, sintomas) constituem-se ao modo do poema, com suas próprias metáforas e metonímias, que revelam a singular relação que o sujeito mantém com suas satisfações pulsionais, de como goza a vida.
Não sem razão , Lacan, na primeira parte de seu ensino, a partir de Freud, afirma que o Inconsciente se estrutura como linguagem. E como lindamente diz o escritor francês Pascal Quignard, “A linguagem é a única ressurreição para o que desapareceu. É o que permite responder ao primeiro enigma: porque o êxtase do passado se tornou um êxtase da linguagem. A linguagem é a casa para tudo o que não está”.
- Paulo Rodrigues – A leitura do texto literário pode ajudar crianças autistas?
William Amorim – Toda oferta de simbólico pode ser bastante fértil para os sujeitos autistas, mas tudo depende de como isso é feito. Com eles precisamos aprender a demandar como se não estivéssemos demandando, a fazer suaves forçagens para que nossa aproximação não produza mais fechamento e o tiro saia pela culatra. O pulo do gato é deixar que nos deem as pistas e a gente ir seguindo, como se fossemos uma espécie de guia turístico que vai atrás e não na frente, entende?
- Paulo Rodrigues – Fale um pouco sobre o livro Gatos, que você lançou com a poeta Roseana Murray.
William Amorim – Eu e Roseana lançamos três livros juntos: Gatos; Poemas em espelho e, por último, final de 2023 , o Balaio de felicidades. que foi escolhido pela editora para concorrer ao Prêmio Jabuti. É sempre um desafio escrever a quatro mãos , sobretudo com uma poeta gigante e com lugar garantido na história da literatura brasileira como a Roseana, ainda que ela seja uma parceira muito generosa.

Foi algo inédito para mim e para ela, como experiência. Nossos estilos são bem diferentes, mas se completam/descompletam, dialogam bem. Teve e tem um caráter lúdico porque a gente se diverte muito escrevendo juntos, interferindo um na escrita do outro, dividindo um poema ou escrevendo cada um o seu. O ofício do escritor e do psicanalista são de uma solidão profunda, como você sabe. Então escrever juntos foi um artificio que eu e Roseana encontramos para escapar um pouquinho dessa condição.
Não bastasse isso, os livros que escrevemos juntos são, ao mesmo tempo, fruto e testemunho de uma admiração mútua imensa e uma amizade consistente que se mantem bastante viva e fecunda há 31 anos.
O Gatos é considerado um livro-objeto pelo grande valor literário e estético. As ilustrações belíssimas estão realmente à altura dos poemas e vice-versa.
O Balaio de felicidades (Ed. Estrela Cultural) é um primor. Belíssimo também. Roseana preza muitíssimo pelo seu prestigiado nome e eu pelo meu. Vale a pena o leitor conferir e acrescentar algumas felicidades ao seu próprio balaio.
- Paulo Rodrigues – Como é o processo criativo de William Amorim?

William Amorim – Diferentemente da minha colega Roseana Murray, que é uma escritora profissional (no melhor sentido), vive da literatura e para a literatura, eu sou um escritor amador e quero conservar sempre essa liberdade de escrever quando eu quero, quando eu posso. Não me obrigo a publicar um livro por ano. E nem poderia porque meu trabalho no mundo acadêmico e psicanalítico é muitíssimo intenso e importante para mim.
Não sou do tipo de escritor que senta todo dia em frente ao computador em determinada hora. Quando pego um caderno ou o computador é porque algo, dentro de mim, está quase pronto, pedindo inquietantemente para sair. Uma vez escrito, posso ou não fazer algumas modificações. Ao contrário de mim, minha amiga Hilda Hilst sentava-se toda manhã em seu escritório para escrever. Tinha uma disciplina invejável.
Mas ainda que não tenha essa disciplina hilstiana, coloco-me em estado de disponibilidade para a poesia e para a prosa. Uma ou outra se impõe e eu obedeço.
- Paulo Rodrigues – Você diz num poema: “há que se bebericar/ pequenos goles de transcendência. É isso mesmo?
William Amorim – Acho que sim, Paulo. Como é para você isso? Somos seres tão presos à imanência, tudo conspira para isso, para nos anestesiar, nos embrutecer. O antídoto para não sucumbir à essa condição é tentar perfumar o cotidiano com imprevistos bons, como diria Clarice Lispector, tomar esses pequenos goles de transcendência que cada um pode inventar para si, para experimentar a sensação de estar “um pouco acima do chão”.
- Paulo Rodrigues – Deixe uma mensagem para os nossos leitores.
William Amorim – Pode ser uma do Freud que eu gosto muito e tem tudo a ver com nosso papo? Vamos lá!
“. . . não desprezemos a palavra. Ela é um instrumento poderoso. É o recurso pelo qual comunicamos nossos sentimentos uns aos outros, é o caminho pelo qual influenciamos o outro.
Palavras podem ser extremamente benfazejas e podem ferir terrivelmente. É verdade que no princípio era o ato, a palavra veio depois, sob certas circunstâncias foi um progresso quando a ação se reduziu à palavra. Mas a palavra originalmente era magia, um ato mágico, e ainda preservou muito de sua antiga força”. Freud. A questão da análise leiga (1926)

POEMAS ESCOLHIDOS
1 – Desejo
Há um vento de alhures
a sussurrar que o amor
vem de norte a sul,
vem por aqui, por ali,
com a imprecisão de um mapa inacabado a se trilhar.
Ainda que não acredites, não sou impossível de tocar.
Orgulho, medo ou timidez abismam nossos corpos,
mas o desejo é uma potência cega e certeira que não arrefece,
pura água impondo-se desde o chão.
Não há pressa, teus passos vacilantes não errarão mais
o caminho nunca andado, eu sei.
Ouça, amor, a macia canção do vento que varre de um lado para outro
os passinhos indeléveis do amor que aqui espera e sonha.
Vem.
2 – Adeus
O medo de perder-te
era maior que a perda em si,
eu sei.
Há tempos vínhamos perdendo-nos do encanto que nos revelou um ao outro
em meio a tantos outros,
vastas multidões.
A gravidade
comia a leveza
que só parecia possível ao teu lado
e as palavras perderam a esperança com incessantes repetições.
Repetições avessas a qualquer fagulha de novidade,
repetir por repetir,
letra morta, apenas.
Brindes crispantes de tesão e curiosidade
perderam-se não sei onde ou quando.
Corpos faiscantes tornaram-se distantes,
burocráticos,
quase invisíveis
de tão indiferentes.
A boca, sinônimo de beijos e ardências,
tornou-se porta-voz
de eternas ladainhas
consumindo todo o tempo que não tínhamos.
Fartas mensagens de outrora
são lavoura devastada de silêncios e trivialidades.
Então com lágrimas de dor insabida e alívio hesitante,
vesti-me de adeus para nunca mais ter que voltar.
3- Junho
(Coletânea Novos Poetas Maranhenses. Prêmio Gonçalves Dias/AMEI, 2019.)
Quando amanheço,
num piscar de olhos,
junho chega metade sol, metade chuva
sobre telhados, ladeiras e casarões
exalando os longes das gentes
como aromas de afetos
em mesa posta para o café.
Quando anoiteço,
abro os olhos dos sentidos.
Ê boi! É lua prateada!
É junho pedindo entrada
num céu de estrelas e ruas enfeitadas
com laços de fitas e sedas e chitas
de saias-rodadas.
Quando entardeço,
abro fé e ouvido,
é junho anunciando
São João,
São Pedro,
Cosme e Damião
entre Ave-Marias e Toadas,
entre Pai-Nosso, tambor de crioula e cacuriá,
entre Salve-Rainhas e matracas,
entre o sagrado e o profano
requebrado ancestral de corpos suados.
Os meses são mágicos
quando pintamos de junho
a inconsistência dos dias,
quando a fogueira da esperança
aquece de sentidos
toda vida adormecida.
4 – Palavras
(poema do livro Poemas em Espelho)
Palavras sabem
o mais o longe dos meus longes.
Palavras me antecedem.
Palavras me ultrapassam, sucedem.
Palavras me vestem.
Palavras me despem,
tecem e destecem na roca dos dias e das noites.
Palavras matam.
Palavras salvam, falam, calam,
ressuscitam, suscitam.
Palavras causam.
Palavras fazem guerra e paz.
Palavras fazem amantes, amigos,
inimigos, notas dissonantes.
Palavras desbotam palavras:
nazismo, fascismo, autoritarismo.
Palavras sonham asas.
Querem mesmo é fazer arte:
liberdade da alma.
5 – Mar palimpsesto
Te vejo de perto,
tão de perto
que a imagem se desfaz
na imediatez do olhar sem horizonte,
então já não estás aqui
diante de mim, mas dentro
e teus olhos são os meus
porque és continente interior
e rogo que navegues
nosso mar palimpsesto de memórias e afetos
e nunca atraques no cais da dúvida
para que o fim não nos alcance.
6 – Da janela
(poema do livro Poemas em Espelho)
Da janela do tempo
a chuva encharca a praça,
a noite, o nada.
Relâmpagos riscam
sustos e sombras.
Sonhos dormem na criança
e no homem de outrora.
Da janela da vida,
fio e desfio imanências,
ato e desato contingências.
E então bordo-me inexato.
7 – Transitoriedade
O tempo ameaça os dias,
trai os vorazes de eternidade
acorrentados em corpos
por fora desgastados.
A mesa posta,
em algum quintal,
entorpece Cronos,
desperta a criança
de além dos muros da memória.
O café invade as narinas e os longes ,
o pão é a hóstia atemporal.
A banalidade cotidiana
vela a transitoriedade da vida,
a beleza do que não é excepcional,
o brilho de opacas rotinas.
E porque a vida não basta,
há que se bebericar
pequenos goles de transcendência.
8 – Poeminha para o escritor José Luís Peixoto
A tépida voz
atravessa meus longes
sem algum pudor.
O timbre
mais calmo que doce
enlaça-me
sorrateiro e diligente
no elétrico âmbar
das palavras que me vêm de ti e reverberam.
Teus lábios e dedos
orquestram a melopeia
indômita
de rebatizados sentidos.
E arrebatado por teu corpo-linguagem,
sou fênix.
9 – Do livro Gatos:
I
Gato escaldado
tem medo de água fria. Gato amado
não teme alegria!
II
Um pé em casa,
um pé na rua,
um olho no dono
o outro na lua.
III
Mais silencioso que espelho,
mais aventureiro que o tempo,
mais indecifrável que esfinge.
Gato, dorso de solidão e carícia,
a liberdade é teu segredo.
10 – Do livro Balaio de Felicidades:
De que matéria?
Então um balaio pode ser
uma casa onde juntamos
tesouros
e por suas frestas traçamos
uma rota de voo?
Ou um balaio pode ser
um dentro da gente,
uma gaveta, um armário,
mala de afetos e desejos
colhidos no tempo
feito conchas do mar
em areia branca?
Cada balaio é um mundo,
cada mundo um ser.
De que matéria é feito
o meu balaio e o teu?

*
Paulo Rodrigues, entrevistador, é poeta e jornalista maranhense/brasileiro.

Excelente entrevista, nos conectando com a arte, a poesia, a beleza do sentir, do viver…
Obrigado, Vera! Forte abraço .