Sacada Literária

Cultura, crítica e divulgação

3 poemas de “LIMBO”, de Sebastião Ribeiro

 

Poeta Sebastião Ribeiro – divulgação

Sebastião Ribeiro (São Luís – MA, 1988) é poeta e professor de Língua Inglesa, graduado em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão. Componente de Acorde (Scortecci, 2011) e autor de &; (Scortecci, 2015), Glitch (Scortecci, 2017), Memento (Penalux, 2020), Ménage – Antologia Trilíngue de Poesia (Helvétia Éditions, 2020), com Antonio Aílton, Outro (Penalux, 2022), Solo (Litteralux, 2024 – premiada com o 2º lugar do Prêmio Claudio Willer de Poesia 2023, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) e finalista do 2° Prêmio Candango de Literatura (SECEC – GDF) e Limbo (Litteralux, 2026).

 

 

*

 

Sorte

 

Quando Vênus me busca da varanda 

me concentro no rastro dos foguetes 

de Alcântara 

 

Estranho 

algo se denuncia 

algo de pressa e mar bravio 

 

O mundo quebra em minha costa

 

Pousado em névoa 

espero em tudo a chuva fraca 

 

Há dias em que não se sabe 

o que se fazer com a bonança

 

Esses tropeços que 

a ciência previu antes do homem 

é por querer se seguir em frente 

 

ainda que a Quina não chegue 

seu amor foda outro contra a parede 

ou você se imagine estourando o miolo 

de um fura-fila

 

Mesmo neste milagre 

que não o rogado:

 

estoicas orquídeas 

de supermercado.

 

 

Éter

 

Vago 

na frequência de uma pluma

 

mencionado no peso da mudez

que habita uma bodega antiga

na Rua de Santaninha

às três da tarde

 

Nem sempre 

a dopamina à mão

que faz das distâncias

fortalezas

 

me torna o crente que aguarda

nem mais almeja

apesar das bênçãos deixadas

no capacho

 

Aéreo 

há dias refuto 

esses curtas na cabeça

entrada franca

 

alteram meu arbítrio

impondo o que acredito ser

ânsias por materialização

 

Quem mais nessa fila

se vê despido do horizonte?

 

 

Contraluz

 

Inconsolável 

escavo círculos que só encontram 

os pés 

 

nunca 

a ventura do tesouro duma morada

 

O mesmo caminho percorro ‒ o que 

egoístas 

batizamos infinito 

 

e já perdido 

assinei embaixo

 

Ad aeternum 

oportunista 

concordo 

nessa linha que sigo me 

expulsa para as mesmas 

folhas que guardam tua 

sombra o contumaz ângulo do 

rosto a celebrada mordida teu 

peso igual à culpa que ganhei e 

espelho em tua forma na caixa 

da porta distorcido em loop em 

aura de ímã e fogo me faz 

quebrar os lábios secos irados te 

instilar meu sangue sua maldição 

alternar os planos que se refletem 

em minhas palmas que tomas e 

afastas para o fundo de uma gaveta 

que se pode trancar como se não se 

falasse do fantasma que trago para 

seguir 

 

seguir 

 

me decifrando 

no que és.

 

 

 

 

Para mais informações do autor: https://sebastiaoribeiro.blogspot.com/