Sacada Literária

Cultura, crítica e divulgação

Silvia Mota Lopes, poeta - foto: divulgação

3 poemas da portuguesa SILVIA MOTA LOPES

 

Há mulheres que trazem os livros nos olhos

passam rímel de palavras pelas pestanas

outras trazem o mar no ventre

quando salgam os poemas.

Umas velam a lua sobre o peito

enquanto um rio percorre o seu fluxo

e nas torrentes do inverno

acendem nas mãos o seu lume.

Outras encostam os olhos às paredes da casa

atravessam o cansaço

quando desafiam as suas histórias.

Uma Penélope, uma Beatriz

a Ilha dos Amores que não existe

um sebastião que come tudo

e outro que não regressa.

Há mulheres que de tanto esperarem

jamais vivem.

 

*

 

O que fica na memória sãos as árvores

os seus ramos cobrem-se de estrelas

sabem de cor o idioma das estações.

     

*

 

A inspiração pode acontecer

num quarto a sós com a literatura

quando as mãos dedilham páginas inteiras

fazem galgar as personagens

para a poesia.

 

Cansadas de narrativas

é nas imagens poéticas

nos versos

que se excitam

gemem de prazer.

 

 

 

Rostos Inabaláveis – projeto artístico de Silvia Mota Lopes – fonte: facebook

 

*

 

Sílvia Mota Lopes é natural de Braga (Portugal). É poeta, pintora, ilustradora e autora de literatura infantojuvenil. Já participou de diversas antologias poéticas e exposições artísticas. É autora dos livros: Alícia no Bosque (2012), Ser dia e Noite Ser (2013), É Aqui Que Ela Mora (2015), Esboço (2017), Dar Corda às Palavras (2018), Passei Como Um Sussurro para que escutasses o Vento (2019), Túnica íntima (2022), Ofício Volátil da memória (2023), Orgânico (2024) e Rostos Inabaláveis (2025).