
Luís Henrique Sousa Costa, natural de Santa Inês/MA (30/05/1966). Teve seu encontro com a poesia no ano de 1976 pelas mãos da saudosa professora Marcelina Nóia Alves. Integra o Coletivo Vozes do Vale e se dedica a produção de Literatura Infantil tendo nesse gênero duas publicações: A Tartaruga Fofoqueira e outras Estórias e As Novas Aventuras da Tartaruga Fofoqueira. Desenvolve nas escolas de Santa Inês e Região do Vale do Pindaré Projeto de Incentivo à leitura para crianças.
FÊNIX… A LENDA!
Estou sempre recomeçando
Não me importa o tamanho do erro,
O vacilo… o fracasso.
Busco sempre dentro de mim
Energia nova para o novo passo.
TROPEÇOS
Ninguém sequer desconfia
De que fibra que eu sou feito
Por não temer tropeços
Tropeços só podem me impulsionar
Audaz a ponto de não temer a morte
A morte pode me deter
Mas não pode me intimidar
Não temo o que pode matar-me o corpo
Minhas ideias se podem eternizar.
MAL NENHUM
Não creio na minha fragilidade
Não tenho tempo para dor
Para as da carne, analgésicos
Para as da alma, perdão e amor
Portanto,
Não se trata de coincidência
Minha trajetória de vencedor.
EX-ALUNO
As primeiras desilusões
Tiraram minha inocência
Outras trouxeram medo
Tantas… desespero
E umas ainda
Roubaram-me a paz
E eu, de desilusão em desilusão
Aprendi como se faz.
CONFUSO
Não consigo entender
Tenho a nítida impressão
Que é meu sofrer
Que instiga minha inspiração
Então, ser poeta e encantar
Ao escrever para aliviar meu padecer
É dádiva ou maldição?
APARÊNCIAS
Aparentemente
E às vezes só aparentemente
Corre maravilhosamente
Essa vida da gente
Harmoniosamente
Sim, publicamente
Porque intimamente
A história pode ser diferente.
RASTROS
Porém
Ficarão nas calçadas
As pegadas
Que o vento apagará
E o tempo se encarregará
De extinguir
Para quando descobrires
Que foi um erro me desprezar
Seja o teu castigo
Não ter como me seguir.
É IMPOSSÍVEL DETER UM SONHO
É impossível deter um sonho
Insisto em acreditar
Apesar dos dias medonhos
Foi caindo que aprendi levantar.
Não se iluda
E dê destaque
Aos momentos felizes
Afinal o mundo não vai parar
E esperar até que
as feridas virem cicatrizes.
É necessário seguir em frente
Abominar ideias de desistir
Aprender com as agruras
Curtindo a aventura de existir
Um sonho não nasce
Para ser detido
E Deus não planta
Sua semente num deserto
De um lado o mundo diz
Que o poeta está errado
E ele, teimoso,
Sabe que está certo.
Se o sonhador é movido a coragem
Foco, disciplina e um amor tamanho
Segue encarando passos de realidade
E desde sempre sabe:
– É impossível deter um sonho!
EU, VINGATIVO
Não traia a si mesmo, não traia!
É o pior que lhe pode acontecer.
Você pode perder coisas, pessoas.
Mas jamais perder-se de você!
Não iluda a si mesmo, não iluda!
Toda ilusão é efêmera.
Ao invés ame tudo que puder.
Qualquer maneira de amar vale a pena.
Não duvide de você, não duvide!
Mantenha a mente tranquila
E o coração movido a esperança
Numa tempestade de desilusões não esqueça:
Quem acredita sempre alcança!
Por fim, dê sempre o melhor de si.
A despeito de qualquer dor, desilusão,
Decepção…cicatriz.
Se queres um exemplo faça como eu.
– Minha vingança é ser feliz!
PIXOTES DA VIDA
Olha, eu não te acuso por ser burguês
Eu só queria que chegasse a minha vez
De ganhar brinquedo caro no natal
Como aquele no teu quintal, jogado no lixo
Olha, não é nenhum capricho
É só um desejo de criança
Teu cobertor é tão cheiroso, tão macio
E eu aqueço o meu frio na esperança
Eu não te acuso por ter um ferrorama
E ser cercado de carinho
Pra mim bastaria uma simples cama
Um lençol limpinho, um lugar quentinho
Compreendo suas dúvidas entre os submarinos
E as pistolas de heróis de ficção
Pra mim bastaria um carrinho, um carinho
Um simples jogo de botão
Quem inventou regras tão malditas?
Eu tão diferente de você?
Se todo mundo é irmão
Você tem até aula de natação
Eu, não tenho nem o que comer
Você e o seu videogame
Na sua TV os heróis são só seus
Só não entendo é por quê?
Uma vez ouvi dizer
Que nosso Deus é o mesmo Deus
E onde estão os meus heróis?
A pergunta é:
Quem somos nós?
Pixotes da vida!
[Luís Henrique]


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