Luiza Cantanhêde, campeã, é poeta destacável da literatura contemporânea brasileira
Texto: Paulo Rodrigues
Luiza Cantanhêde é poeta maranhense, natural de Santa Inês e radicada em Teresina-PI. Ela chegou em Teresina em 1983, e na cidade se formou em Contabilidade, iniciou a carreira literária. A poeta e escritora já́ é reconhecida nacionalmente, sendo autora dos livros Palafitas (Penalux, 2016), Amanhã, serei uma flor insana (Penalux,2018) Pequeno ensaio amoroso (Penalux, 2019), Plantação de Horizontes (Litteralux, 2023) e Alfinetes (Litteralux,2025). Além disso, participa de várias antologias nacionais e internacionais, entre elas, A Antologia internacional/bilíngue Encruzilhada de versos (Avant Garde Edições – 2014), A mulher na Literatura Latino-Americana (Avant Garde edições-2018), Ero das eras (Avant Garde edições-2019) e Literatura de livre expressão (Avant Garde/matizes-2019). Publicou nas revistas Mallamargens, Quatetê, Ser Mulher arte, Escrita Droide, Literatura & Fechadura, nos blogs Como eu escrevo e O lume das palavras.
Luiza recebeu Menção Honrosa no Prêmio “Poeta H. Dobal” (2017), concedido pela Academia Piauiense de Letras. Foi premiada no Concurso “Novos Poetas Maranhenses”, promovido pela Associação Maranhense de Escritores Independentes – AMEI (2018 e 2019), além de conquistar os prêmios “Vicente de Carvalho” (2018) e “Álvares de Azevedo” (2019), concedidos pela União Brasileira de Escritores – UBE/RJ. Recebeu, em Gravatá-PE, o Prêmio Destaque Nordeste (2019) na categoria Poesia; foi vencedora do Prêmio Nacional Selo Off Flip – Edição Nordeste (2023) e do 1º Concurso Literário da Feira da Literatura Piauiense (2024), também na categoria Poesia

A autora é presença constante em feiras literárias, salões de livros e saraus, no Piauí e em diversas cidades brasileiras.
Recentemente, Luiza Cantanhêde venceu o Concurso Literário “Kenard Kruel”, promovido pela Feira do Livro de Barra Grande – PI. Sua obra inédita Territórios Invisíveis será lançada pela Academia Piauiense de Letras ainda em 2025.
“Quero deixar claro que faço poesia para virar o avesso do mundo, mas reconheço a importância dos prêmios literários, sobretudo porque ampliam a visibilidade da obra e fortalecem a literatura como espaço de memória, diversidade e transformação social”, comentou a poeta.
“O livro (Territórios Invisíveis) aborda a temática da invisibilidade social e existencial de pessoas marginalizadas. A obra é uma dedicatória a todos que carregam o mundo nas costas e para os territórios esquecidos que ainda pulsam em silêncio. Vencer o Concurso Literário “Kenard Kruel” com este livro é como dar voz aos silêncios que carrego, às histórias que o mundo quase apagou”, finalizou a autora Luiza Cantanhêde.

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[Paulo Rodrigues, poeta e jornalista.]

Parabéns, poeta Luiza Cantanhêde, pelas suas mais que merecidas prêmiações. Você nos redimensiona poeticamente!
Obrigada, meu querido Antonio Ailton, é sempre um privilégio ser publicada neste importante canal de difusão da boa literatura e outras linguagens!
meus agradecimentos especiais ao Paulo Rodrigues e Antônio Ailton, por repercutirem neste importante canal de comunicação, este prêmio que me deixou muito feliz e motivada!
A Luíza Cantanhede é gigantesca, de uma criatividade ímpar, está na História da poesia brasileira e, eu muito me orgulho de ser seu amigo e seu fã.
fico feliz e motivada ! A recíproca é verdadeira, poeta querido!
Em Planos Altos, Luiza Cantanhêde nos oferece um poema que é, ao mesmo tempo, profissão de fé e mapa existencial. Há, nos seus versos, a consciência de que o voo não se realiza sem a memória do barro, essa matéria primeira, humilde e ancestral que resiste às enxurradas e desafia o vendaval. Como nas grandes imagens da poesia brasileira, o barro aqui não é mero cenário, mas arquétipo: lembra que toda elevação supõe um enraizamento e que, mesmo nos sonhos mais altos, carrega-se a argila de onde se veio.
A poeta constrói seu lirismo com a precisão de um ourives e a leveza de um pássaro. Andorinha que “costura horizontes com o bico” é mais do que uma metáfora da esperança; é figura do trabalho paciente, quase artesanal, que o espírito realiza para transformar o caos em paisagem. Assim, o horizonte não é dado, mas tecido. E, ao tecê-lo, a voz poética afirma-se como sujeito criador, não simples espectador do destino.
É na tensão entre o sonho e o chão que a força filosófica do poema se revela. A confissão final, “De tanto sonhar alto, / meus pés desaprenderam / a rastejar”, pode ser lida como celebração da transcendência, mas também como alerta. A superação do rastejar é conquista e risco; quem desaprende o chão pode perder o caminho de volta. Aqui, a poeta toca na ambiguidade constitutiva da condição humana, em que o voo representa a liberdade, mas a liberdade pode significar vertigem.
O poema, de cadência límpida, recusa o excesso e aposta na limpidez imagética. Cada verso é como um degrau de pedra lisa, conduzindo o leitor do barro à nuvem. Ao longo dessa ascensão, não há ruptura brusca, mas um contínuo encadeamento de imagens que confere ao texto uma coerência orgânica, como se o próprio poema fosse o voo que descreve.
Luiza Cantanhêde, com a singeleza de quem não precisa elevar a voz para ser ouvida, reafirma aqui uma lição antiga e sempre nova: não há altura que não nasça de um ponto humilde, e não há sonho que não exija, para se manter, o delicado equilíbrio entre a gravidade e o impulso. Planos Altos é, assim, uma peça rara, onde filosofia e poesia se entrelaçam como andorinha e horizonte que ela mesma inventa ao costurá-los.
Querido César Borralho, fico extremamente comovida com essa sua análise profunda e sensível sobre nosso poema! Gratidão!
que boa é a existência de uma poeta incrível como Luiza Cantanhêde tecendo uma poesia essencial.
E que bom que tenho amigos poetas tão maravilhosos, feito você! obrigada!