Sacada Literária

Cultura, crítica e divulgação

Poeta Laura Amélia Damous lança O TEMPO DAS MANHÃS TRÊMULAS

Antonio Aílton

 

            Nesta quinta, 26/03/2026, a poeta Laura Amélia Damous lança, às 18:30 no salão da Academia Maranhense de Letras, mais um dos seus “inventários do sensível”, como o editor se refere na orelha do livro, a esta sua mais nova oferta de luz: O tempo das manhãs trêmulas (7Letras, 2026).

            O tempo das manhãs trêmulas é uma evocação do que está guardado nas frestas da recordação, da vida e da experiência (inclusive de escrita) da poeta, mas também daquela ressonância que está em nós, porque o poeta, a poeta, não fala apenas de si, de seus lugares, suas noites, suas luas epifânicas, seus vivos e seus mortos, suas portas que se destrancam repentinamente nas relações, no brilho do universo, mas também daquilo que o espírito dessa poesia compartilha conosco. Quem é o “eu” que fala? É um “eu poético”? É a menina das noites de Turiaçu?  É a viúva de Ló? Somos nós, sob um céu claro? É o tempo?

 

Os vivos e os mortos

em noites claras como esta

eles nos vêm visitar

entrando pelas frestas da memória

silenciosamente

eles nos vêm visitar

em transparentes sonhos

seus rostos de branca névoa

se acercam de nós

procuram por nós

nos encontramos e conversamos

na inaudível linguagem da recordação

sempre penso

se eu falar os seus nomes

eles ficam

 

            Aqui, o ser tremula – e o ser é tempo; e é lembrança. O ser tem essa sensibilidade ao mesmo tempo intensa e frágil. O tempo é frágil, mas o tempo também tremeluz, ao nascer sob o nascer e o crescer de nossas manhãs, vulneráveis e lampejantes.

 

A flauta e a trança

meu pai tocava flauta e

cantava

lembro bem o que minha mãe fazia

fazia tranças com laços de tafetá e cetim

ainda ouço a voz e a flauta

do cabelo enfeitado pouco sei

agora

as duas vivem em mim

tocando e trançando

lembranças

            Assim diz o poeta Fernando Abreu (do muito que ele diz), no maravilhoso prefácio deste livro:

            “Laura Amélia Damous escreve poemas neste primeiro quarto de século XXI com o mesmo espírito com que escreveu, por exemplo, os poemas de Brevíssima canção do amor constante, livro com o qual estreou há 40 anos. Na sequência vieram Arco do tempo (1987), Traje de Luzes (1993), Cimitarra (2001) Arabesco (2010) e Inventário dos sentidos: poesia reunida (2013). […] Com O tempo das manhãs trêmulas, portanto, Laura Amélia Damous vem ampliar um pouco mais essa construção nada babélica. Ao contrário, uma construção de múltiplos, arejados e iluminados cômodos, por onde podemos transitar, não sem abalos, mas sem medo algum de nos perdermos. E se isto acontecer, tanto melhor. No final, seremos sempre resgatados, mais vivos e comovidos do que nunca pelas mãos seguras dessa artista de voz única”.

            O tempo das manhãs trêmulas é, portanto, um convite, para (não) nos perdermos entre essas flâmulas de manhãs e flautas, noites e silêncios que o compõem. Laura Amélia Damous é uma das nossas mais importantes poetas contemporâneos, e sua obra indica caminhos e linguagens, como aquelas estrelas-sínteses que brilham no caminho, quando, em silêncio e quase a tocá-las, antes do amanhecer, insistimos em prosseguir.

 

Conversa de sapatos

– cansei de ser cúmplice de ausências

agora

só conduzo encontros

*

Bagagem de agosto

não mais te vi

lua cheia

nem mais te ouvi

maré de sizígia

mas carrego uma retina enluarada

e uma orquestra em meu ouvido

 

 

 

 

 

LANÇAMENTO: O tempo das manhãs trêmulas (7Letras, 2026)

QUANDO: 26 de março de 2026.

HORA: 18:30

ONDE: Academia Maranhense de LetrasAML (Rua da Paz, 84, Centro – São Luís/MA)