Sacada Literária

Cultura, crítica e divulgação

A LINGUAGEM DA AUSÊNCIA: A POÉTICA DO DESLIMITE

A LINGUAGEM DA AUSÊNCIA: A POÉTICA DO DESLIMITE

 

Rafael Oliveira

 

Introdução

A poesia contemporânea caracteriza-se por um movimento de tensão e crítica em relação aos limites da linguagem e aos deslimites criativos do sujeito lírico. Nesse contexto, A Linguagem da Ausência (Zaratustra, 2022), de Rogério Rocha,

estabelece um marco poético-estético ao radicalizar a experiência criativa da palavra e do seu sentido. Mais do que uma coletânea de poemas, a obra configura-se como um laboratório em que a palavra, levada ao extremo, não apenas comunica, mas interroga; não apenas define, mas significa por meio da própria ausência.

A leitura de A Linguagem da Ausência é, portanto, um exercício do deslimite, no qual se reconhece um diálogo com a poesia contemporânea que explora a fragmentação, a ironia e a eroticidade poética. A obra de Rocha insere-se assim em um campo em que a poesia não é mais entendida como expressão plena de um “eu”, mas como espaço de reinvenção sígnica através da imprevisibilidade lírica.

Estruturado em quatro seções — Epifanias, Enfrentamentos, Evocações e Homenagens —, o livro articula uma singular cartografia da ausência, tematizando-a não como carência, mas como suporte ontológico da linguagem.

Nesse sentido, a poética de Rocha se sobrepõe às estruturas tradicionais do discurso. Rocha consolida-se, assim, como um poeta cuja atenção às transformações sociais funda uma unicidade estética entre poesia, palavra e imagem.

 

A transmutação sígnica: estética e poética

No poema “O MUNDO” (p. 27), o poeta ilustra com clareza essa operação discursiva em que o poético se torna chave-mestra para expandir a pluralidade do significante. O poema dispõe-se no espaço da seguinte forma:

 

O mundo

               muda

                        mudo

 

O efeito aqui não é apenas formal e/ou visual, mas etimológico e, ao mesmo tempo, epistemológico. Ao suprimir o fonema nasal — “n” —, o poeta desmonta o código referencial de “mundo” enquanto categoria fenomenológica, transformando-o em silêncio. Por isso, essa mudança (“muda”) conduz à mudez sígnica (“mudo”), numa progressão que revela a falência do signo enquanto instância de voz da ausência, ou seja, como emblema de uma significação que se cala. A partir dessa operação mínima, o poema realiza aquilo que Lacan (1973) identifica como o furo na cadeia significante: a ruptura que impede a completude do sentido, abrindo espaço para o não-dito. O corte na materialidade da palavra  (“mundo” que vira “mudo”) performatiza esse furo, demonstrando como o silêncio e a ausência são constitutivos da própria cadeia de significação.

Essa operação aproxima-se, por contraste, da “pedra” de Drummond, que, em seu célebre poema No Meio do Caminho, funciona como obstáculo ou como tomada de consciência. Rocha, ao contrário, torna a própria palavra o obstáculo, pois o fonema ausente converte-se na pedra que bloqueia e, por isso mesmo, abre uma fresta/passagem na dimensão significativa do poético.

A sequência minimalista do poema — “O mundo / muda / mudo” — condensa uma poderosa metáfora para a condição pós-moderna, marcada pela fragmentação incessante, que resulta na falência ou supressão da fala. O “mundo” que “muda” converte-se, paradoxalmente, em um mundo “mudo”, incapaz de sustentar um discurso ou uma narrativa extensiva ao contexto da universalidade ou mesmo da diversidade estética.

Essa ideia encontra ressonância na obra de Jean-François Lyotard, que, em A Condição Pós-Moderna (1979), revela a crise das metanarrativas — aquelas grandes histórias que, durante a modernidade, ofereciam um horizonte de sentido coletivo. Para Lyotard, a pós-modernidade caracteriza-se pela incredulidade diante desses grandes relatos, substituídos por múltiplos discursos fragmentários e heterogêneos. O poema de Rogério Rocha parece operar justamente nesse paradigma lyotardiano: não se propõe a narrar ou explicar, mas a expor a falência do discurso, sintetizada na fragmentação do signo “mundo”, que, por ingerência linguística, transita para um signo “mudo”. Essa desestabilização revela um mundo que, mesmo plurívoco, se reduz a uma somatória de discursos fragilizados, inevitavelmente alinhados à ausência — formal e conteudística.

De modo complementar, Fredric Jameson, em Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio (1991), observa que a cultura pós-moderna é dominada pela superficialidade, pela perda de profundidade e pela lógica do simulacro, em que as experiências estéticas e comunicativas são esvaziadas, reduzidas a signos que não remetem a nenhuma essência. O estado de “mudez” representado no poema pode ser lido como índice desse processo: a linguagem, corroída pela mudança incessante, não comunica mais, mas apenas reverbera o próprio esvaziamento. A transmutação sígnica, aqui, representa justamente o que escapa às tentativas de representação total. Assim, Rocha estabelece conexões que contestam uma cadeia de significados reducionista, abrindo espaço para que a comunicação poética seja uma investigação crítica da linguagem.

A obra de Rogério Rocha aproxima-se também da perspectiva de Jacques Derrida, especialmente na concepção de desconstrutividade textual. Em textos como A Escritura e a Diferença (1967) e Gramatologia (1967), Derrida problematiza a ideia de uma presença plena ou de um significado absoluto sustentado pela linguagem. Para ele, todo signo é marcado pela ausência de um centro fixo, instaurando um processo de significação aberto, instável e inacabado.

Daí o poema “O mundo /muda /mudo” evidenciar exatamente esse processo em que a transformação do mundo é indissociável da operação sobre o signo. A supressão de uma letra — o “n” de mundo — e a permutação da vogal “a” por “o” revelam, na materialidade da linguagem, uma instabilidade constitutiva do significante, que dissolve o vínculo estável com o significado. Essa linguagem não é mais veículo de transparência do mundo, mas torna-se parte de sua desconstrução; o que resta é a percepção de que o mundo não apenas muda, mas se cala, se invalida como discurso, converte-se em ausência. Mas é uma ausência que, mesmo “muda”, fala. É nessa fala que o poeta, ao enunciar, aspira tornar-se o próprio signo, condensado numa estrutura linguística que reverbera ausência.

O poema de Rocha, portanto, não apenas descreve a condição pós-moderna, mas a performatiza, ao operar diretamente sobre a própria matéria verbal, instaurando uma poética do deslimite e da ausência. É esta linguagem que oferece ao signo “mundo” toda a in/suficiência para se realizar como um signo “mudo” pela supressão da consoante “n”, demonstrando, com isso, que a fragmentação sígnica resulta da própria discursividade e/ou diversidade contemporânea.

 

O erotismo na linguagem poética

Em outro exemplo significativo da obra, o poema “GÊNESE DA POESIA” dramatiza e performatiza a relação entre linguagem e corpo:

 

o claro da manhã

deita sobre mim:

meu olho brilha.

 

Aqui, a luz assume o papel de sujeito ativo, que “deita” sobre o corpo do “eu” lírico, instaurando, assim, uma cena de erotismo poético. A cena apresenta-se como ato sensível, carnal, em que a experiência sensorial converte-se em metáfora para a gênese do poema. Tal erotização da linguagem remete, de um lado, à erótica hilstiana, notadamente à radicalização do corpo como suporte do excesso e da experimentação, como se vê em O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990); de outro, aproxima-se das formulações barthesianas sobre o texto como espaço do prazer, da fruição e da fricção da linguagem.

Trata-se, porém, de um erotismo simbólico. O “olho” que brilha não é mero receptor, mas um órgão sensitivo transfigurado em índice da potência da linguagem: sua capacidade de afetar e ser afetada pelos sentidos, numa intimidade sígnica que desnuda a própria linguagem. Assim, “deita sobre mim” induz a uma relação de intimidade sígnica em que a materialidade poética subjaz entre a “luz” e o “corpo”, e explode em êxtase, como no verso final: “meu olho brilha”.

O erotismo aqui revela a rara fusão entre signo e beleza, sobretudo porque a poesia desencadeia prazer pelo gozo estético das palavras. Há, no poema, um lugar de fetiche para o leitor observar a(s) cena(s), talvez por meio do furo sígnico, a relação de sentido que faz da eroticidade uma presença sutil à vertigem da linguagem. Sem dúvida, esse cenário estético revela um espetáculo performático em três versos, isto é, uma tríade poética de prazer entre palavra, corpo e luz. Essa é uma das marcas da poesia rocheana: ser erótica sem se revestir da tentação do explícito ou se expor à banalidade da expressão erótica convencional.

Assim, Rocha abre a cortina sígnica para que a poesia dispa as suas vestes através das palavras e, no palco da linguagem, represente sua expressividade erótica, cujas camadas sutis instigam e intrigam ao mesmo tempo. A linguagem poética, em sua materialidade, gera um ritmo que culmina na beleza erótica que pulsa através dos sentidos. E Rocha nos faz sentir essa pulsão porque o (seu) “olho brilha”. E brilha de tal modo que a poesia torna-se gozo, prazer e êxtase estéticos. E este brilho é, afinal, o orgasmo da percepção, o momento em que o sensível e o inteligível se fundem.

 

A ausência como performance poética

O processo poético de Rocha articula-se, ainda, como uma resposta à constatação de que a linguagem pode configurar-se como um ser vazio, um abismo e, por extensão, uma ausência.

Por essa perspectiva, sua poética aproxima-se do minimalismo beckettiano — sintetizado na célebre fórmula: “Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.” —, mas com modulação própria, marcada pela ironia, pelo jogo e pela performatividade. Nesse aspecto, Rocha inscreve-se numa tradição que, segundo Silviano Santiago (2004), caracteriza-se pela oscilação entre o trágico e o impulso lúdico.

Se Bauman (2000) imagina a “modernidade líquida” como regime de dissolução dos vínculos e das estruturas sociais, Rocha radicaliza essa concepção,

deslocando a ênfase da liquidez para a própria linguagem: seus poemas não apenas fluem como um feixe de palavras, mas desestabilizam as categorias tradicionais do discurso poético, afetando tanto a consciência quanto a inconsciência do estar no mundo. A poesia, nesse caso, torna-se espaço de experimentação da falência, da quebra e da ruína, operando por meio de uma lógica de inscrição disruptiva e fragmentada, como nestes versos:

 

A linguagem da ausência

Tem a cor da inexistência.

Vem do salto que trespassa

 

A relação entre ausência e inexistência é, do ponto de vista da psicanálise, um eixo fundamental no processo da estruturação poética. Ao postular o inconsciente como instância determinante do psiquismo, Freud fornece o substrato para entender como a linguagem “trespassa” a estrutura subjetiva, tornando-se o próprio meio da expressão que comunica a partir do que está para além da consciência. A ausência, enquanto linguagem, pode ser lida como a fala desse inconsciente, onde o sentido se constitui a partir de diferentes furos, cortes e silêncios. É nesse sentido que os vetores da linguagem direcionam para a topologia oca ou vazia dos sentidos. Os sígnos entram assim numa instância que revela a complexidade operativa das possibilidades da linguagem. Sendo assim, a linguagem passa a ser essa fala do inconsciente, tornando-se a fala da ausência. Tudo, então, vem do “salto” que a poesia faz para superar a inexistência e entrar na camada estética da ausência, mas de uma ausência consciente. Essa consciência, sem dúvida, é que determina as nuances mais impreteríveis para sutilidade criativa dos diferentes sentidos.

 

Poética do enigma: a hermenêutica da ausência

O título do livro — A Linguagem da Ausência —, em vez de enunciar uma temática preditiva, formula uma proposição estética: não se trata de falar sobre o vazio, mas de instaurar, por meio da linguagem, a experiência mesma da ausência. O poema, nesse propósito, deixa de ser veículo de transmissão de sentido para tornar-se enigma. Enigma estigmatizado entre o deslimite da linguagem e a laboração estética:

 

bordar o poema

moldar o poema

deixar o poema

em perene

(in)construção

 

Rocha cria, assim, uma rede de palavras em que a sua direção discursiva desafia o leitor a uma escolha interpretativa funcional — trata-se de um jogo pela instantaneidade da linguagem ou de uma falência de sua potência transliteral?

Ou, ainda, de uma espécie de linguagem siamesa, interposta pelo parêntese prefixal, que deixa margem para a re/construção do sentido?

Os verbos bordar e moldar indicam que a função poética é uma prática de tensionar a palavra. Essa tensão gera prismas que individualizam os sistemas sígnicos e permitem ao leitor encontrar os possíveis sentidos, embora estes sentidos estejam em permanente re/construção. Por isso, cada leitor torna-se único e com capacidade perceptiva para compreender a complexidade poética existente em torno das palavras. Rocha traduz, com isso, toda sua expertise operativa entre signos, nestes versos: “deixar o poema/em perene/(in)construção”.

Em sua poética, Rocha aproxima-se de outras vertentes contemporâneas da poesia brasileira, que investem na fragmentação e na abertura semântica do signo, tensionando-o para explorar o princípio impositivo do poético. Afinal, imagina Rocha:

 

Somos os mesmos

entulhos dos escombros.

Somos uno, ombro a ombro.

 

Desse modo, o poeta atinge o ponto em que a supremacia ontológica se nivela à dessacralização do ser, mesmo tendo, para isso, o suporte do “ombro a ombro”. A imagem do humano é desfigurada na forma de “entulhos”, mas de entulhos que refletem os “escombros” da vida, do tempo e da própria realidade contemporânea. Afinal, a pós-modernidade é que nos torna um produto estereotipado ou manipulado, seja pela linguagem dominada pela discursividade vazia, seja pela instabilidade da linguagem humana. Nesse sentido, parece que nada se sustenta como imagem definitiva, embora esta imagem revele, de um lado, que somos seres complexos em dimensões físicas, humanas e de linguagem e, de outro, que estamos à beira de um colapso de consciência estética, sempre camuflados pelas leis que regem a(s) pluralidade(s) dos sentidos criados em prol da sustentalidade da vida pós-moderna. Talvez seja isso que nos transforma em “entulhos” dentro da sociedade reificada, agora, em “escombros”. Na verdade, a poética rocheana encontra uma estranha beleza na desagregação, na fragmentação, para ecoar de forma especular a sua própria natureza trágico-lírica.

 

Conclusão

A Linguagem da Ausência, de Rogério Rocha, configura-se, portanto,  como uma experiência estética que leva às últimas consequências a crise da linguagem na pós-modernidade. Seu projeto poético articula-se como uma arqueologia do presente, sondando os limites e os restos da linguagem após o colapso das garantias estéticas tradicionais da poesia e do sentido que inaugura expressões capazes de sensibilizar.

Mais do que tematizar a ausência, Rocha a performatiza — não como objeto do poema, mas como sua própria substância. Assim, o autor insere-se com rigor no panorama da poesia atual, instaurando uma poética do deslimite em que a linguagem se experimenta como corrosão, ruína e, paradoxalmente, potência.

Diante dos poemas-enigmas de Rocha, cabe ao leitor a tarefa de compreender a linguagem como ausência. Talvez, como sugere o próprio título, não haja resposta definitiva, apenas a vertigem imprevisível de uma poesia que faz da ausência sua mais emblemática e fragmentária presença.

 

 

Referências Bibliográficas

BARTHES, Roland. O prazer do texto. Trad. Maria Lúcia Pereira. 2. ed. Lisboa: Edições 70, 1973.

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DERRIDA,Jacques. A escritura e a diferença. Trad. Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Perspectiva, 1971.

DERRIDA,Jacques. Gramatologia. Trad. Miriam Chnaiderman e Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Perspectiva, 1973.

DRUMMOND DE ANDRADE,Carlos. Alguma poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1930.

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HILST,Hilda. O caderno rosa de Lori Lamby. São Paulo: Globo, 1990.

JAMESON,Fredric. Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. Trad. Maria Elisa Cevasco. São Paulo: Ática, 1996.

LACAN,Jacques. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. O Seminário, livro 11. Trad. M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

LYOTARD,Jean-François. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre o saber. Trad. Regis Barbosa e Maria Beatriz Nizza da Silva. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2009.

ROCHA,Rogério. A linguagem da ausência. São Paulo: Zaratrusta, 2022.

SANTIAGO,Silviano. O cosmopolitismo do pobre: crítica literária e crítica cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2004.

 

*Rafael Oliveira é poeta, especialista em  médico, membro da Sobrames-MA.

 

 

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ROGÉRIO ROCHA [Autor de A Linguagem da ausência]

Nascido em São Luís/MA, Rogério Rocha é professor, poeta e produtor cultural, pós-graduado em Direito Constitucional (Universidade Anhanguera-Uniderp), pós-graduado em Ética pelo IESMA, graduado em Filosofia (UFMA), bacharel em Direito (UFMA) e mestre em Criminologia pela Universidade Fernando Pessoa (Porto/Portugal). É membro da Academia Poética Brasileira, da Academia de Letras, Artes e Ciências do GOB-MA e da Academia Maçônica de Letras do Maranhão. Exerceu a advocacia, foi assessor jurídico e é servidor público do Poder Judiciário do Estado do Maranhão.

É fundador e coordenador dos projetos INICIATIVA EIDOS e DUO LITERA, que trabalham com eventos nas áreas de filosofia e literatura.

É autor dos livros de poemas “Pedra dos Olhos” (2020) e “A linguagem da ausência” (2024). Foi o segundo colocado no Concurso Gonçalves Dias, na categoria Poesia, no ano de 2019, e selecionado na categoria Crônica, na mesma premiação, em sua edição do ano de 2020.

Produz vídeos para o canal Hipertexto, no YouTube, onde apresenta conteúdos sobre cultura em geral.