MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS: uma homenagem à memória histórico-literária
Dilercy Adler
O COMEÇO DE TUDO…
Era uma vez, no Chile, uma casa de frente para o mar, onde um poeta fazia poesia — muita poesia — e defendia a utopia de uma sociedade mais igualitária. E assim se fez ímpar…
“Era uma vez…” Assim começo esta fala, que trata de uma história contada sob diversos ângulos e variadas perspectivas de olhar, sentir e se apropriar desse pedacinho lírico e mágico da realidade.

Há exatos 13 anos, nascia no Maranhão um projeto que uniria poesia, memória e educação: Mil Poemas para Gonçalves Dias.
Inspirada na antologia chilena Mil Poemas a Pablo Neruda, a escritora Dilercy Adler trouxe a ideia ao retornar do Chile. Ela a apresentou ao Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), propondo uma grande homenagem ao poeta maranhense e integrando o projeto às celebrações dos 400 anos de fundação de São Luís.
A escolha de Gonçalves Dias como homenageado foi consolidada em diálogo com a professora Maria Cícera Nogueira. Em setembro de 2011, o projeto foi aprovado em Assembleia Geral do Instituto, contando posteriormente com a colaboração de Leopoldo Gil Dulcio Vaz e de instituições como a Universidade Federal do Maranhão e a Universidade Estadual do Maranhão.
Adler, em sua apresentação da Antologia Mil Poemas para Gonçalves Dias (2013, p. 7), inicia dizendo:
Ao prefaciar As Poesias Completas de Gonçalves Dias, da Coleção Grandes Poetas do Brasil, publicada pela Editora Científica, no Rio de Janeiro, em 1965, Josué Montello afirmou: “O culto a um poeta implica uma atitude mais complexa do que um simples ato de fé; exige o nosso exame, o estudo atento da mensagem que nos deixou. ”
No mesmo prefácio, diz ainda Josué Montello, referindo-se à publicação de 1965: “E é isto que se pretende seja feito com esta nova publicação das Poesias de Antônio Gonçalves Dias. Elas constituem, inegavelmente, o primeiro documento considerável da sensibilidade brasileira traduzida em versos duradouros. ”
Na sequência, Adler afirma: Precisamos, sim, cultuar a nossa memória coletiva, a nossa história e os homens que mais marcaram suas presenças, que mais dedicaram suas inteligências, suas forças, suas ousadias e potencialidades para engrandecer a imagem do nosso Brasil.
E continua Adler:
Quarenta e oito anos depois (1965–2013), retomamos essas palavras e reafirmamos: precisamos cultuar a nossa memória coletiva, a nossa história e os homens que mais marcaram sua presença, que mais dedicaram suas inteligências, suas forças, suas ousadias e potencialidades para engrandecer a imagem do Brasil. O objetivo é reavivar a memória, reacender a chama e ratificar a importância de empreitadas dessa natureza.

Desse modo, é isto que se pretende com esta publicação de poesias e pesquisas em homenagem a Antônio Gonçalves Dias: vivificar a fé, a memória e os novos estudos das mensagens deixadas por esse grande nome das letras brasileiras, Antônio Gonçalves Dias.
O projeto transformou-se em um amplo movimento cultural, reunindo instituições das três cidades, com programações locais específicas, além de escritores, pesquisadores, estudantes e leitores de diferentes gerações e nacionalidades. Além da coletânea poética, organizou-se a obra Sobre Gonçalves Dias, composta por estudos dedicados à vida e à produção literária do poeta.
As atividades percorreram Caxias, terra natal de Gonçalves Dias; Guimarães, ligada aos seus últimos momentos; e São Luís, centro de sua formação intelectual e literária.
Leopoldo Gil Dulcio Vaz, em sua apresentação de Mil Poemas para Gonçalves Dias (2013, p. 9), registra:
A antologia Mil Poemas para Gonçalves Dias é a quarta a ser organizada, reunindo poetas do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Uruguai, Portugal, Moçambique, México, Canadá, Panamá/EUA, Espanha, França, Bélgica, Áustria e Japão.
Do Brasil, participam diversos estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Paraíba, Goiás, Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Distrito Federal, Paraná, Piauí, Sergipe, Alagoas, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.
No Maranhão, a cidade de São Luís foi representada por 89 poetas, seguida de Caxias, além de contribuições de Esperantinópolis, Guimarães, São Bento, Sampaio, Carolina, Balsas, Palmeirândia, Pinheiro, Pedreiras, São Vicente Ferrer, Vitória do Mearim, Codó, Paraibano, Turiaçu, Lago da Pedra, Coroatá, Pio XII, Dom Pedro, Cururupu, Presidente Dutra, São Francisco do Maranhão, Itapecuru-Mirim, Viana, Barra do Corda, Vargem Grande, São João Batista, São Bernardo e Barão de Grajaú.
Depois de quase dois anos de trabalho e de intensas discussões, reconheço que Dilercy tinha razão: caberia, sim, ao IHGM levar adiante esse trabalho.
Em 10 de agosto de 2013, no Palácio Cristo Rei, em São Luís, foram lançados os três volumes da trilogia gonçalvina: Mil Poemas para Gonçalves Dias, com 999 poemas; o volume do milésimo poema, em edição especial; e Sobre Gonçalves Dias. Nesse dia, aniversário de 190 anos do poeta, na programação oficial de São Luís, com a presença de escritores de outros países e de outros estados da federação, foi fundada, após 401 anos da criação da cidade, a Academia Ludovicense de Letras (ALL).
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Consideradas de referência internacional, essas publicações retornam agora ao público em formato digital, treze anos após a edição impressa, amplamente reconhecida e premiada.
No contexto das celebrações do centenário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, do bicentenário de Dom Pedro II e dos 137 anos de nascimento de Antônio Lopes, as obras reaparecem em versão e-book, com o apoio da Universidade Federal do Maranhão, por meio de sua editora, a EDUFMA.
Dessa forma, a memória literária maranhense e brasileira reafirma sua força, sua permanência e sua capacidade de dialogar com novas gerações de leitores.
Mil Poemas para Gonçalves Dias permanece como uma homenagem perene ao poeta que, pela força de sua obra, jamais partiu.
Convém ainda registrar que, na cerimônia comemorativa dos 195 anos de criação da Biblioteca Pública Benedito Leite (BPBL), em 28 de maio do corrente ano, a instituição homenageou o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, presenteando-o com o valioso Catálogo de Jornais de seu acervo, referentes à trajetória do Instituto ao longo de seus cem anos de existência.
Na noite de 16 de junho de 2026, no contexto das celebrações do IHGM, em reconhecimento e agradecimento, Adler entregou à BPBL a versão impressa dos três volumes da coleção Mil Poemas para Gonçalves Dias, de seu acervo pessoal, em seu nome e do IHGM.

Sessão Comemorativa do aniversário de nascimento de Antônio Lopes, patrono do IHGM: Profa. Dra. Elizabeth Abrantes, 1ª Secretaria, Prof. José Augusto Oliveira, Presidente e Prof. José Marcelo do Espírito Santo, vice-presidente.



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Dilercy Adler é poeta, membro e ex-presidente do IHGM e da Academia Ludovicense de Letras.

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