Sacada Literária

Cultura, crítica e divulgação

Fernando Abreu, Poeta - foto: divulgação

FERNANDO ABREU entrevistado por PAULO RODRIGUES

 

PAULO RODRIGUES ENTREVISTA

O POETA

FERNANDO ABREU

 

Fernando Abreu é maranhense de São Luís. Viveu na cidade de Grajaú, interior do estado, até os 13 anos. Durante cerca de dez anos editou a revista de poemas Uns & Outros, ao lado de outros integrantes do grupo Akademia dos Párias. Tem seis livros de poemas publicados: Antes de Esses são os dias (7Letras, 2022) vieram Contra todo alegado endurecimento do coração (7Letras, 2018), Manual de Pintura Rupestre (7Letras, 2015),  Aliado Involuntário (Exodus, 2011), O Umbigo do Mudo (Clara Editora, 2003) e Relatos do Escambau (Exodus, 1998). Como letrista, tem parcerias com Zeca Baleiro, Chico César e Nosly, entre outros. Mantém o blog Homem Comum, onde publica basicamente poemas.

 

Capa do livro Manual de Pintura Rupestre (2015), de Fernando Abreu

 

  1. Paulo Rodrigues – Fernando Abreu, quando você começou a escrever? O poeta viveu numa casa com muitos livros? 

Fernando Abreu – Escrevi meus primeiros poemas na adolescência, as primeiras tentativas de merecer o nome que eu já me dava desde a infância. É uma coisa engraçada, porque me identifiquei muito cedo com o que para mim correspondia à figura do poeta: alguém retraído, desconfortável, com um enorme desejo de estar sozinho. Eu era muito tímido, então me identifiquei com essa imagem e ambicionei para mim a condição de poeta, que me dava um lugar no mundo. Acho que muito disso permaneceu comigo.

Meu pai era dentista e professor de português, apaixonado pela obra de Graciliano Ramos. Mais tarde, já com os filhos adultos, ganhou dois prêmios literários, um da AML e outro promovido pelo governo do estado para o funcionalismo. Então meu velho também era escritor, contista. Quando ele fez 80 anos editamos e publicamos seus contos em uma edição distribuída entre família e amigos em um café da manhã comemorativo. Nossa casa, além da coleção completa de Graciliano Ramos, claro, tinha todo o romantismo brasileiro, tinha também Machado de Assis e Jorge Amado. Então posso dizer que era uma casa que tinha livros.

 

  1. Paulo Rodrigues – Jorge Luis Borges disse: “Sem leitura não se pode escrever”. Você concorda com o escritor argentino? 

Fernando Abreu – De um modo geral sim, porque o escritor ou o poeta precisa de referências, encontrar sua família literária, seus pais e irmãos na literatura, assim como seus adversários, ainda que temporários. Claro que é preciso filtrar e esquecer muita coisa, senão o talento pode acabar soterrado debaixo de tanta leitura. Nada é tão absoluto assim no terreno da criação. E é preciso lembrar da poesia dos griots, da poesia dos cantadores de feira e da poesia ameríndia. Casos extremos como o da curandeira e xamã mexicana, do povo mazateca, Maria Sabina, cujos cantos rituais de cura, sob efeito de cogumelos alucinógenos, foram reconhecidos como de alta qualidade poética. Uma história fascinante que merece ser mais conhecida. Isso nos diz muito sobre o que significa “leitura”, que vai muito além do padrão eurocêntrico.

 

Capa de Contra todo alegado endurecimento do coração (2018), de Fernando Abreu
  1. Paulo Rodrigues – A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil apontou que 53% dos brasileiros não leram nada em 2024 e perdemos 7 milhões de leitores. É necessário escrever poesia num cenário assim? 

Fernando Abreu – É necessário escrever poesia porque a poesia torna a vida mais rica, a vida de todo mundo. Acho que devemos ter isso em mente sem jamais fechar os olhos para a realidade dura que cerca a vida da maioria das pessoas. Se estamos perdendo leitores, existem razões para isso, razões que precisam ser discutidas também pelos escritores. Não devemos nos encastelar em nossas torres de marfim e nos contentar em escrever para iniciados, como se fôssemos os gurus de alguma seita. Também não podemos aviltar o nosso trabalho, subestimando, de forma demagógica, a capacidade de compreensão das pessoas. As razões da perda de leitores são diversas, mas o enfrentamento do problema passa pela criação de políticas públicas específicas para essa área, e os escritores não devem fechar os olhos para isso.

 

  1. Paulo Rodrigues – Poeta, ainda sobre o tema leitura. O Ezequiel Theodoro da Silva comentou: “O ensino da escola é livresco, mas sem livros”. Você acha que a escola deveria trabalhar mais com os livros literários, com os autores contemporâneos? 

Fernando Abreu – Não vejo razão para não se fazer isso, por meio de escolhas criteriosas que privilegiem ampliação da visão de mundo e do senso crítico, de acordo, claro, com as faixas etárias adequadas. Estou longe de ser um especialista no assunto, mas creio que a escola é um dos locais por excelência onde deve se formar o gosto pela literatura. O ensino profissional e técnico é importante, mas ele não deveria jamais estar desvinculado da formação humana, que deve ser a formação do cidadão de forma integral. Vejo com algum otimismo essa questão ser debatida novamente, ainda que de forma tímida. Mas é um bom começo, é preciso partir de algum ponto, porque ao mesmo tempo vemos governos se orgulhando da abertura de grande número de escolas militares em seus estados, como se isso estivesse em alguma diretriz básica da educação em nosso país. Isso sim, é bastante preocupante.

 

  1. Paulo Rodrigues – Quem são os autores da literatura brasileira e maranhense que são lidos pelo poeta Fernando Abreu? A literatura do Maranhão passa por um momento de efervescência? 

Fernando Abreu – Nunca fui de ter um programa de leitura ou algo assim. Leio muito e estou sempre lendo de dois a três livros ao mesmo tempo, mas tudo ao sabor do momento, quer dizer, uma leitura vai me levando a outra e assim vou tocando o barco, aqui e ali a sugestão de alguém, uma entrevista interessante. É uma navegação caótica, mas com uma coerência do ponto de vista pessoal, da minha tentativa de evoluir como alguém envolvido com literatura, com poesia.

A poesia no Maranhão vive um momento de grande vigor. Rapidamente poderia citar nomes como Adriana Gama de Araújo, Luiza Cantanhêde, Eduardo Júlio, Felix Alberto Lima, Paulo Rodrigues, Luís Inácio Costa, Josoaldo Rêgo, Lúcia Santos, Antonio Aílton e Jorgeana Braga. Todos fazendo poesia de alta qualidade dentro de uma diversidade incrível de pegadas e estilos. É um bom momento sim. 

 

  1. Paulo Rodrigues – Sei que tem uma relação estreita com a música. A poesia e a música se cruzam? 

Fernando Abreu – Sim, essa é uma possibilidade sempre em aberto. Embora o poema já tenha a sua própria musicalidade e seu ritmo, em alguns casos ele pode se prestar muito bem ao casamento com uma melodia, por obra e graça do músico que lê e ouve a melodia no poema. Muitas vezes, para grande surpresa do poeta, que escreveu sem jamais imaginar que alguém pudesse transformar aquilo em uma canção. O poeta Celso Borges, nosso eterno parceiro e irmão, realizou projetos maravilhosos nesse campo, arregimentando grandes músicos em torno da poesia de José Chagas e Bandeira Tribuzzi. Tudo feito com muito cuidado e carinho pela obra desses dois grandes maranhenses que certamente teriam aprovado o resultado. O Brasil seria o último país do mundo para se criar fronteiras rígidas entre poesia e música popular, em razão da riqueza de nossa canção. 

 

Capa do livro Aliado Involuntário (2011), de Fernando Abreu
  1. Paulo Rodrigues – Letra de canção é poesia? Tem poesia nas letras de Caetano Veloso, Bob Dylan, Zeca Baleiro, Fernando Abreu? 

Fernando Abreu –  Com exceção de mim, todos eles são poetas da canção, e grandes poetas. Tenho muita alegria e honra das minhas parcerias, tanto com Zeca Baleiro quanto com outras figuras que admiro, como Marcos Magah e Nosly. É uma emoção e uma alegria muito grande ouvir sua palavra sendo cantada, ao vivo ou no rádio. É algo bastante estimulante, pelo compartilhamento, pela comunhão com milhares de pessoas. Mas não me considero propriamente um letrista. Na maioria das vezes tive meus poemas musicados de forma muito feliz por esses parceiros, e em algumas poucas vezes escrevi a letra com a intenção de que fosse musicada, como foi o caso de “Guru da Galera”, que terminou sendo um grande sucesso, um tremendo reggae na criação do Baleiro. Gostaria de escrever mais letras, mas fico meio à mercê do momento, quando isso acontece é um grande barato. 

 

  1. Paulo Rodrigues – Poeta, pode falar um pouco sobre o livro ESSSES SÃO OS DIAS? 

Fernando Abreu – Não sou de planejar meus livros. Houve um tempo em que até invejei quem era capaz de escrever um livro de poemas seguindo um planejamento prévio. Mas logo percebi que essa não era uma característica minha, que não vejo necessariamente como limitação. Sou um poeta de poemas, não de livros, de forma que meus livros são coletâneas que refletem o estágio da minha linguagem e das minhas preocupações como poeta em determinado momento. Isso acaba dando certa unidade temática a grupos de poemas no livro, que podem ou não ser agrupados em capítulos. “Esses são os dias” segue a mesma lógica, é mais um momento da minha trajetória como poeta. Na esteira do que já venho trabalhando há algum tempo, são poemas onde aprofundo certo prosaísmo deliberado, abrindo mão da “função poética” da linguagem.

 

  1. Paulo Rodrigues – No poema A LOUCURA MOSTRA AS UNHAS você afirma: “Dança com esse lobo até soltar o pelo / No fim tem sempre um olho atrás do palco / Uiva de escalpo em punho e fim de papo / Pouco importa saber quem paga o pato”. O escritor, o poeta, os compositores pagam o pato numa sociedade de consumo do mais baixo nível?

Fernando Abreu – Pagamos o pato, pagamos o preço e dobramos a aposta. Quem escolhe esse caminho precisa estar consciente disso. O que temos que cultivar, acima de qualquer sonho de reconhecimento, que pode ou não chegar, é a alegria de saber que estamos fazendo o nosso trabalho de forma honesta, com total fidelidade ao que a gente acredita que seja o nosso universo, a nossa maneira de fazer as coisas, intransferível, inegociável. Isso compensa qualquer dissabor. Tem um poema no meu livro “Contra todo alegado endurecimento do coração” que fala sobre isso. O poema se chama PROMESSAS, e termina assim: se não é capaz de enfrentar esse dilema, / é melhor continuar escrevendo / poemas que exigem de você / apenas habilidade com as palavras / mas a habilidade com as cartas / não faz de um jogador / um mágico.

 

10 Paulo Rodrigues – Deixe uma mensagem para os nossos leitores. 

Fernando Abreu – Nunca deixem que lhe imponham uma visão dogmática sobre como deve ser o poema ou a poesia. Procure a poesia como um exercício de liberdade, de ampliação de horizontes e de enriquecimento da vida. Quanto mais poesia você ler, mais rica será sua vida, seu universo pessoal. Tendo uma vida rica, você tornará mais rica também a vida de quem convive com você, com quem cruzar o seu caminho. A presença constante da poesia na sua vida fará de você um espalhador de benefícios.

 

 

Capa do livro Esses são os dias (2022), de Fernando Abreu

 

*

 

Poemas de Fernando Abreu

[Fernando Abreu]

 

 

SURSIS

[Fernando Abreu]

 

aos que condenam

os poemas que escrevo

por conterem veneno de menos

aos que não encontram neles

vísceras o bastante

para afogar as mágoas

aos que esperançosos

vasculham cada verso

em busca de armas químicas

e saem decepcionados

aos que em silêncio

sacodem a cabeça

como o médico de campanha

que fez tudo que era possível

o benefício da dúvida

contra o edifício das certezas

acompanhado por mensagens

de condolências aos que chegaram no final da festa

tanto quanto qualquer outro

meu coração é uma aldeia devastada e dos escombros,

dá pra construir algum tipo de bomba um navio naufragado

uma armadura de super-herói

um parque de diversões demente

um instrumento para alguém tocar a escolha é sempre solitária

 

 

PROMESSAS

[Fernando Abreu]

  

certos poemas são como uma promessa feita a alguém

em seu leito de morte

com a diferença de que

esse alguém é você mesmo

a decisão é sua

pode-se seguir vivendo

como se nada tivesse acontecido

o que significa morrer de uma vez por todas quer sua foto esteja na capa

de todas as revistas de vida saudável ou nos rótulos dos uísques

mais letais do mundo

a segunda opção

é fazer um esforço sincero

para se portar à altura do que

está escrito naquelas linhas

o que pode levar algum tempo

custar algum choro

e ranger de dentes

mas vai acabar acontecendo

e isso vai deixar você vivo

talvez, para sempre

se não é capaz de

enfrentar esse dilema,

é melhor continuar escrevendo

poemas que exigem de você

apenas habilidade com as palavras mas a habilidade com as cartas

não faz de um jogador

um mágico

 

 

PARA UM GATO AMARELO

[Fernando Abreu]

 

o gato amarelo

vai ter que esperar pelo seu poema por mais algum tempo

na porta da igreja de são francisco vai assistir a velha senhora trazer sua ração entre indiferente e esperançoso

o mesmo ar com que me encara

quando cruzo a praça apressado

mas não o bastante para ignorá-lo o filósofo da gangue

o alquimista da fome

por mais algum tempo

esse é o único alimento que ele vai ter meu amigo amarelo vai esperar

até que eu tenha algo mais que ideias nessa cabeça cheia de poemas

até que eu tenha mais que habilidade de arranjar as palavras para ele

de um jeito que ele entenda

e todo mundo entenda

o que as palavras não disseram

velha alma autodidata

ele conhece um pouco de zen das ruas então sabe que estou sendo sincero e não ficará nem um pouco ansioso o problema são as pessoas

elas continuarão ansiosas, apressadas

e famintas da ração diária

da mesma poesia que elas rejeitam

e que continuamos jogando no prato delas todos os dias

até que finalmente resolvam provar

 

 

UM CANTO DE NATAL

[Fernando Abreu]

  

como se fosse o peru sertanejo

de dona maria rita

tenho que comer o novo frango happy

orgânico e criado solto

você também precisa

mesmo que não tenha vivido sua infância no interior do maranhão

tudo bem, é difícil para qualquer um

imaginar um happy saltitante no campo ciscando, cagando, trepando,

vivendo sua cacarejante vida de frango sem se preocupar com o amanhã

é exigir muito de nós, sejamos francos, nós que nunca tivemos a felicidade

de ver sequer um happy comum

senão aos pedaços, em sua embalagem sedutora embora tenhamos o ambíguo privilégio de comê-lo (muitos são apenas humilhados

pelo comercial de tv)

mas, enfim, precisamos comer

o novo happy orgânico

milhares de empregos dependem disso a cada garfada as ações sobem

e a economia gira

é uma grande responsabilidade

e o que vale para essa ave midiática

(e de certa forma mitológica)

vale para roupas, carros, calçados,

lançamentos imobiliários, pacotes turísticos, tudo que faz o mundo se mover

não exatamente

da forma que gostaríamos

e não temos muito o que fazer

quanto a isso, pelo menos de imediato.

se não comemos a ave

o bicho pega

se comemos

o bicho come

 

 

CONVERSA COM PESSOAS INTERESSANTES

[Fernando Abreu]

 

diga que ouviu o cachorrinho

cantando timidamente

no quintal do vizinho

domingo de tarde

depois de chorar por três dias

e eles dirão que você é um poeta

(o elogio mais dúbio que alguém

é capaz de suportar)

então pise fundo

diga que você mesmo escreve

os poemas que precisa ler

e eles ficarão constrangidos

embora aparentem achar graça

vá em frente

diga que esse negócio com os cachorros

está ficando sério

embora você prefira os gatos

a essa a altura eles começarão

a abafar os mugidos do tédio

dentro de suas mochilas

então não diga mais nada

apenas peça um expresso com leite

pode ser miando ou latindo

não vai fazer nenhuma diferença

 

 

LADAINHA

[Fernando Abreu]

  

enquanto souber que ainda é vaidade o que sente quando te chamam de poeta

você não está pronto

e enquanto não sentir um pouco de vergonha

quando te chamam assim

você não está pronto

enquanto não aprender a desconfiar do poema

você não está pronto

e enquanto não aprender a deixar o poema incendiar seu quarto você não está pronto

enquanto não lamentar não ser apenas

um leitor de poesia

você não está pronto

e enquanto não sentir um nó na garganta

diante do que escreveu

e entender finalmente as lágrimas de chico maranhão você não está pronto

enquanto não se livrar do conteúdo

de sua lixeira dourada

você não está pronto

enquanto não acreditar que os poemas das pessoas são a perfeita expressão da alma delas

da mesma maneira que espera que sejam os seus você não está pronto

mesmo que escreva poemas tecnicamente perfeitos com estrutura perfeita e ritmo perfeito

e todos os efeitos perfeitos

você não está pronto

e não estará pronto enquanto continuar lendo isso como um manifesto e não como um poema

escrito especialmente para ninguém

 

 

DYLAN REVISITADO

[Fernando Abreu]

 

atravessa o corredor sombrio

rumo ao seu quarto de hotel

sob o olhar de ninguém

mesmo as câmeras o evitam

intimidadas

o tapete envolve o som de seus passos

pesados como botas de soldado

mas suaves e silenciosos

ele esteve nos confins

de seu próprio mundo

de desejo honra e perdição

e agora está de volta

colhido do nada

como uma flor selvagem

pelas mãos molhadas de sua dama

a um gesto seu

começa a chover lá fora

recosta a cabeça cansada

no travesseiro de espinhos

percebe que suas mãos

estão em chamas novamente

 

 

À MARGEM, ACIMA

[Fernando Abreu]

 

ali estava eu de volta

desistindo de desistir da poesia

diante de novas possibilidades de vida no poema eram possibilidades modestas

mas eram minhas

só eu sabia o que tinha passado para

estar diante delas

atrapalhado sem saber por onde começar e mesmo assim começando.

tantas palavras que eu podia morrer sufocado podia levar um tiro

polindo minhas armas novamente

sem saber se estavam carregadas.

mas eu estava subindo de novo

e sabia que nada daria errado

enquanto estivesse subindo

mantendo o ritmo

sem pressa, mas indo

livre do medo de ser um retardatário

na corrida para o futuro da arte

livre do medo do futuro, com ou sem arte livre do meu sonho de infância

que me embalou, aprisionou, silenciou mastigou e cuspiu fora séculos depois vivo.

pronto para a revelação e a magia.

 

 

*

 

 

Paulo Rodrigues, entrevistador, é poeta e jornalista, autor de Cordilheira (2024), entre outros fascinantes livros de poemas.